As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Thursday, June 15, 2017

“Apaixonei-me pela agricultura e pelos produtos locais”

Pode ter sido pelos piores motivos que o empresário Mark Kunz chegou a Serpa para “viver temporariamente”, mas foi pelos melhores que resolveu ficar. E foi exactamente no Alentejo, território pelo qual se apaixonou, que decidiu então investir e fez nascer, no Monte das Louzeiras, a marca GOTA.

“Em 2004, por motivos de saúde vim viver temporariamente para Serpa, foi nessa altura que pela primeira vez tomei contacto com as pessoas, hábitos e cultura da zona. Fui viver para a Serra de Serpa, sendo lá que, através dos agricultores habitantes da zona, aprendi as primeiras palavras em português, foi através deles que me apaixonei pela agricultura e pelos produtos locais”, recordou o empresário suíço.

Confrontado com o que de melhor se produz no Alentejo, Mark Kunz revelou que foi “batizado com cálice de ouro” em relação à qualidade dos produtos portugueses, de tal forma que, apesar da sua formação ser na área da arquitetura e design, surgiu a ideia de investir e valorizar esses produtos da terra, desde os azeites e vinagres ao mel, passando mesmo pelo setor da cosmética.

GOTA quer mostrar que “é possível uma melhor e mais diversificada” utilização dos produtos

Certo de que a tradição e a modernidade podem andar de mãos dadas, Mark Kunz manteve desde o arranque da empresa o respeito pela ancestralidade das suas origens, o Alentejo, mas apostando numa imagem atual. “Como a minha outra área é o design, é para mim um prazer aliar a qualidade do produto a uma imagem forte, até porque a tradição e a modernidade não conflituam, antes pelo contrário, completam-se. Queremos tornar o exterior mais apelativo ao consumidor sendo que o interior, por si só, já é de excelência”.

Assim, no que diz respeito ao desenvolvimento dos produtos GOTA e MONTE DAS LOUZEIRAS, a ideia foi apostar na inovação, “conjugando matérias-primas de excelência a uma nova tipologia de procura, designadamente na cosmética e nos vinagres, por exemplo”.

Explicando que a empresa tem dado também grande atenção às potencialidades terapêuticas de alguns produtos, como é o caso do azeite, que está a ser aliado com óleos essenciais naturais para utilizar na cosmética, Mark Kunz sublinhou que o objetivo é “mostrar que é possível uma melhor e mais diversificada utilização destes produtos”.

As vantagens do interior…

Apesar de reconhecer que podem existir dificuldade em termos de burocracia, o empreendedor acredita que existe vantagens no investimento no interior. “Há espaço, há qualidade de vida, há pessoas, há proximidade entre as entidades, facto que ajuda a resolver as situações e aqui somos tratados como pessoas e não como números”.

“As entidades locais ajudam e apoiam na instalação de empresas e projetos, porque estamos todos a trabalhar para o mesmo, para a criação de emprego, para a dinamização da economia, contribuindo para atenuar a tendência de despovoamento”, testemunhou frisando que “atualmente a questão da localização já não se coloca da mesma forma, porque as acessibilidades rodoviárias são boas e a internet facilita os contactos, sendo que já não existem distancias que não possam ser superadas com um clique”.

Quanto ao futuro, o objetivo é continuar a crescer porque “há muito para fazer” num setor que “tem fortes potencialidades”. “Vamos produzir vinho em talha de barro, vamos construir uma adega e um lagar que possa dar resposta a todas as solicitações, vamos continuar a trabalhar nos produtos inovadores e na imagem de todos os nossos produtos”, concluiu Mark Kunz.

Wednesday, June 07, 2017

“Portugal tem vinhos de elevada qualidade que são vendidos um pouco por todo mundo”

Começou por ser um projeto ligado à produção de vinho de uma família dinamarquesa mas cedo perceberam que a aposta se podia estender ao turismo. O Hotel Rural Quinta do Pégo, em Valença do Douro, concelho de Tabuaço, nasceu da paixão de Karsten Sondergaard pelas paisagens durienses. Foi nesta região que encontrou a quinta com cerca de 30 hectares onde são produzidos Vinhos do Porto Vintage e Late Bottled Vintage, e Vinhos Tintos DOP. Em 2009 inauguraram o Hotel Rural da Quinta do Pégo, de 4 estrelas, com 10 quartos. Um investimento de mais de 8 milhões de euros do Grupo AMKA.

Um pequeno hotel com muitos encantos

A piscina exterior com efeito cascata é uma das imagens de marca de um espaço enriquecido pela paisagem natural da região classificada como Património Mundial pela UNESCO. Na loja da unidade hoteleira estão à venda os vinhos da casa mas também o azeite “extra virgem 100% natural” produzido nos socalcos que recortam as encostas da propriedade. A grande maioria dos clientes são estrangeiros, sobretudo dinamarqueses, que procuram turismo vitivinícola de qualidade, rico em história e autenticidade. O ambiente, a natureza e o povo português cativaram a atenção de Karsten Sondergaard desde a primeira visita ao país. “Portugal tem um potencial enorme em várias áreas” e a produção de vinho é uma delas. “Aqui temos vinhos de elevada qualidade que são vendidos um pouco por todo mundo”, explica o investidor.

A excelência das vinhas

Demoraram alguns anos até encontrarem a localização perfeita. "A prioridade foi criar um lugar único com uma atmosfera portuguesa muito calorosa e acolhedora para todas as nacionalidades", explica Karsten Sondergaard. Da ideia à prática foi um longo caminho. “Mas valeu a pena”, garante o empresário acrescentando que “o mais importante foi encontrar parceiros locais certos para fazer as coisas acontecer". O solo classificado com a letra “A”, a mais elevada na região, foi um dos fatores que mais pesou para a escolha deste local. Para o empresário dinamarquês, “o fácil acesso por transporte público através de Régua ou Pinhão e a curta distância do Porto são também vantagens, sobretudo no que diz respeito ao Hotel".

Uma empresa familiar com expressão mundial

A história do Grupo AMKA tem quase quatro décadas. A empresa foi criada em 1978 em Randers, Dinamarca, por Anna-Marie Sondergaard, apenas como um passatempo. Em apenas dois anos o crescimento do negócio levou a que se juntasse também o marido Karsten e, mais tarde, o filho Frank. Atualmente são 20 as empresas individuais, espalhadas por 10 países, incluindo Portugal. A empresa familiar vende e distribui anualmente mais de 30 milhões de garrafas de vinho, cerveja e bebidas espirituosas de todo o mundo.

O segredo do sucesso é inovar

A capacidade de adaptação à mudança é essencial para quem pretende investir neste setor, afirma Karsten Sondergaard. “Continuar a desenvolver novas ideias para manter este negócio atrativo, competitivo e relevante", tem sido o segredo deste projeto. Aos investidores deixa uma mensagem: "Mostre respeito e mantenha seus pés no chão".

Friday, April 07, 2017

Serpa: Faltam ovelhas para as necessidades das queijarias

A história de José Guilherme é comum entre os portugueses: um curso profissional de agro-indústria numa escola profissional conduziu o jovem aluno à transformação de uma queijaria caseira numa pequena unidade industrial. Menos comum no seu percurso foi o sucesso que preconizou: passados 16 anos, esta queijaria emprega 42 pessoas e produz 500 kgs de queijo por dia.

Tendência Gourmet

O mercado está a mudar.
A procura de alimentos light e queijos aromatizados está a motivar o empresário José Guilherme no desenvolvimento de novos produtos.

A produção de queijos frescos light é uma tendência generalizada no mercado, que não acrescenta inovação mas garante o seu escoamento.
Menos conhecido, o Queijo de Cabra Curado com 3 ervas vem responder à procura de um segmento mais exigente com a adição de três ervas populares no Alentejo: poejo; alecrim; rosmaninho

Semear a internacionalização

A internacionalização é o caminho natural para produtos portugueses face à pequena dimensão do mercado nacional.
Mas também aqui, a falta de associativismo entre outros produtores ameaça tornar esse processo mais lento que o desejável. E o empresário usa a analogia agrícola para explicar o processo: estamos a semear nos mercados externos!

Ovelhas Lacaune

A maioria do queijo produzido recorre a leite de ovelhas Lacaune: uma raça francesa que permite a produção de queijo de elevada qualidade.

Crescer 20% ao ano

Os numeros são animadores. Há três anos consecutivos que a produção da Queijaria Guilherme cresce a 20% ao ano. Resultados que o empresário associa a um bom produto, uma boa marca e uma rede de distribuição consolidada.

Thursday, April 06, 2017

Serpa: “Já estou enxertado!”

Andreas Kurt Berhnard chegou a Portugal em 1995 e não sabia falar português.
Apostou no negócio do azeite biológico que produz com recurso a 300ha de olival, entre terrenos da família e alguns arrendamentos.
Hoje, 95% do seu azeite é para o mercado suiço, alemão, francês, sueco e japonês.
Diz com orgulho que esses mercados já estão sensíveis ao azeite nacional.

“São os turistas que apreciam a nossa comida e fazem mais tarde publicidade nos seus países aos nossos produtos. Portugal está na moda!”

Produção biológica

O mercado procura produtos biológicos e está disposto a pagar por isso.
São 300ha de olival para produzir 200.000 garrafas de azeite biológico por ano.
“Não são 200.000 litros! As nossas garrafas são pequenas.”

Risca Selection Lemon: 50€/litro

O Olival da Risca não vende a granel. Promove os seus produtos em pequenas garrafas de vidro, para segmentar o seu mercado.
Na gama gourmet, o Olival da Risca promove o azeite virgem extra com aroma a limão, alho ou manjericão.

Barragem de Alqueva

Andreas chegou a Portugal antes da construção da Barragem de Alqueva. Hoje, com a garantia de água para regadio, assegura que cada hectare de olival possa produzir 5 toneladas de azeitona, que representará 700 litros de azeite.

Crescer 35% num ano

As alterações climáticas estão a afectar outros países produtores de azeite.
Em Portugal, os olivais têm mantido a produtividade, o que assegura que mais hectares cultivados permitiram mais garrafas de azeite no retalho, e assim, mais clientes finais à sociedade agro industrial Risca Grande Lda..

Tuesday, February 21, 2017

Despovoamento

Como combater o despovoamento?

Ontem foi emitida uma edição especial da RTP para discutir o despovoamento dos territórios de baixa densidade.

Em estúdio, o Ministro Adjunto Eduardo Cabrita, o Reitor da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro António Fontaínhas Fernandes e três autarcas de capitais de região: Évora; Vila Real; Guarda

O tema presta-se a demagogias fáceis: "faltam apoios e subsídios ao interior".
Mas ninguém avalia o impacto dos subsidios que já foram distribuídos para a fixação da população e incentivo da atívidade económica nestes territórios de baixa densidade.
Em suma, corremos o risco de fazer mais do mesmo para resolver um problema, cuja receita já revelou o efeito inverso.

Hoje, há cidades em territórios de baixa densidade que conseguiram fintar o despovoamento: Vila Real; Covilhã; Évora; Faro. Todas elas têm universidades. E isso leva-nos à pergunta óbvia: "Faz sentido que o Estado abra novos cursos nas grandes cidades, quando o despovoamento ameaça fragmentar o país?"
Será fácil compreender a vantagem de um centro de conhecimento nestes territórios em comparação com call centers: mais gente; mais conhecimento; oportunidade de mais e melhores empresas.

Michael Porter, que foi citado pelo autarca egitaniense, escreveu há 20 anos sobre a valorização dos recursos endógenos.
Está escrito. Basta ler.
Esses recursos endógenos permitem desenvolver economia mais sustentada, e com maiores barreiras à entrada para novos players noutras geografias.
Para esse objectivo, é necessário que as universidades trabalhem com as empresas em áreas cujas oportunidades poderão aí ser exploradas.

Em suma, precisamos de mais universidades em territórios de baixa densidade a desenvolver competências endógenas e mais empresas - com capital; experiência; mercado - a valorizar os recursos humanos que saem desses centros de conhecimento.

Se essas geografias conseguirem criar mais valor, teremos mais emprego e com isso mais gente.

O capital não é um exclusivo do Estado. E por isso faz sentido citar o Chef Rui Paula: "temos que acreditar em nós e na nossa região, ser verdadeiros (...) e pôr aqui o nosso dinheiro. Não podemos ficar à espera!"

Programa completo em RTP.PT

Frederico Lucas, co-fundador do Programa Novos Povoadores



Thursday, February 02, 2017

A Pobreza das Nações

Em 1776, Adam Smith publicou o primeiro volume de um livro icónico de economia sobre a riqueza das nações.

O autor defendia as leis de mercado, onde os produtos com elevada procura e baixa disponibilidade aumentavam o seu valor.

Passados 250 anos, a economia deixou de valorizar os produtos para se focar nos serviços, e através desses no conhecimento.

Isto é, no século XXI o valor reside naquilo que cada um de nós consegue produzir com a educação que recebeu, potenciada pelo intercâmbio daqueles com quem trabalha.

Desta equação resulta que uma equipa, comunidade ou país são tanto mais ricos quanto mais heterogénea for a população que nela participa.

Donald Trump não sabe isso. Porque não teve uma educação que o preparasse para uma sociedade do conhecimento.

A sua base de raciocínio tem como unidade o tijolo, e com alguma naturalidade avançará para unidades de volume, aplicadas ao betão.

Por isso, as comunidades sustentadas na diversidade étnica, cultural e religiosa estão associadas às novas fortunas: Silicon Valley e Hollywood são exemplos desses ecossistemas, Nova Iorque e Londres exemplos de cidades multi culturais com elevada criação de valor.

O oposto é igualmente verdadeiro: a homogeneidade educativa, cultural e religiosa são sinónimos de pobreza. São solos de monocultura, onde apenas nasce mais do mesmo.

E por isso, os territórios rurais que estão fechados nas suas comunidades, vivem na agonia do tempo. Limitam-se à musealização daquilo que já existiu.

Frans Johansson (Harvard Business School), no seu livro Medici Effect, explica a oportunidade de inovação das sociedade heterogéneas. Recorre ao conhecimento das comunidades de elefantes para o explicar.

Thursday, December 29, 2016

APMRA lança guia para investidores estrangeiros em Portugal Rural

Quais as oportunidades de investimento em Portugal, a legislação aplicável e a disponibilidade de recursos humanos qualificados nos territórios rurais portugueses?

Responder a esta pergunta é a função do guia bilingue "Invest in the Countryside of Portugal", que será lançado pela APMRA na primavera de 2017.

A proximidade aos portos marítimos e às redes de autoestradas, a capacidade de desenvolvimento de produtos inovadores pelos recursos humanos nacionais e os baixos custos com terrenos industriais, transformam o nosso país num dos 38 países mais atrativos para o investimento estrangeiro no mundo, conforme índice do Fórum Económico Mundial.

A publicação terá 3000 exemplares, e o preço de capa será de 20€.
Cada município aderente receberá 100 livros que poderá oferecer aos potenciais investidores estrangeiros nos seus concelhos.
Os restantes serão vendidos online, livrarias, aeroportos e estações de serviço.
A publicação terá 260 páginas a cores com textos, fotografias dos entrevistados e dezenas de ilustrações alusivas aos setores económicos mais apetecíveis para investimento.

A informação ficará igualmente disponível online no site http://rural.pt nas suas versões inglesa e francesa, na opção "Invest in Portugal".